A galeria Sargadelos situava-se, como bem sabem, na Baixa do Porto. Escaqueirou-se e morreu.
Nesta pequena empresa, cada um de nós fazia de tudo, não havendo fronteira entre trabalho físico e trabalho intelectual, porque haver distinções é definhar uma das partes e matar o Homem completo.
Lembramos a chegada das encomendas como uma espécie de consolo efémero, transportado pela beleza daqueles objectos.
This stuff is gorgeous...Très beau, très beau...Aí estava um pretexto para lhes fazermos perguntas sobre esses lugares, ao mesmo tempo que sacávamos das nossas referências, não tanto para os impressionar (ainda que em parte), mas sim para acender a conversa, tirar dúvidas.
As duas montras vistosas, não eram apenas mostruário para os de fora. Algumas vezes, eram como que dois grandes olhos para a Mouzinho da Silveira, com o seu trânsito caótico de sexta-feira à tarde, os rituais obsessivos dum comerciante a fechar as grades, os cometas femininos, os cães rondando o talho (ou atirando-se nervosos às rodas dos carros). Ainda ouvimos as gargalhadas saudáveis da nossa vizinha, a sua voz de adamastor chamando este e aquele; ainda vemos os comerciantes da rua a abandonar as suas portas a quando do nascimento do joãozinho, para ir ver o pequeno e saudar os pais; ainda vemos os miúdos malcriados batendo com as portas, depois de me pedirem os preços das louças.
Agradecemos aos que nos apoiaram, elogiaram e nos visitaram aqui ou no 294.
Pode ser, quem sabe?, um dia nos voltemos a encontrar. Adeus.


